Feiras de orgânicos são alternativas para quem busca uma alimentação saudável

Denzel Valiente

Feiras de orgânicos são alternativas para quem busca uma alimentação saudável
Denzel Valiente, [email protected]

Uma alimentação saudável, natural e livre de agrotóxicos. Cada vez mais as pessoas estão buscando consumir alimentos frescos e artesanais. Voltar a preparar a comida em casa, assim como usar verduras, frutas e grãos da época é um costume que está em crescimento e vem juntando adeptos. É isso o que indica o último levantamento da Associação de Promoção dos Orgânicos. Mesmo com a pandemia, esse setor registrou uma alta de 30% nas vendas e vem avançando pelas cidades do interior.

Em Santa Maria, consumidores encontram produtos coloniais ee livres de agrotóxicos em diversas feiras espalhadas pela cidade. Uma dessas iniciativas é a Polifeira do Agricultor desenvolvida pelo Colégio Politécnico da Universidade Federal de Santa Maria. O projeto tem como objetivo incentivar a agricultura familiar e as relações entre o campo e a cidade.

A Polifeira nasceu há quatro anos, no campus da UFSM, e migrou para a Avenida Roraima, no bairro Camobi. Segundo a bolsista de gestão Flavia Mortari, 26 anos, uma das responsáveis pela feira, a mudança para fora da universidade possibilitou que os produtos orgânicos cheguem a outros públicos:

– Hoje tem gente que vem de fora, vem do centro para consumir o nosso produto. A feira tem esse intuito de oferecer pro consumidor um produto que seja regional e limpo. A pessoa pode ter certeza que está consumindo algo de qualidade. – ressalta Flavia.

Fortalecer essa relação entre pequenos produtores e consumidores é possível com o apoio da UFSM que dá o suporte técnico e logístico. Os alunos de cursos do Colégio Politécnico realizam visitas técnicas aos produtores e ajudam eles com eventuais dificuldades. De acordo com Flávia, a coleta do material é realizada todas às terças-feiras e quintas-feiras e “a ideia é fortalecer a economia familiar e oferecer uma qualidade de apoio que um grande produtor teria”, completa.

É essa relação entre o campo e a cidade que tem motivado os pequenos agricultores a virem de diversos distritos da região até Santa Maria para participarem das feiras que acontecem pela cidade. O arroz Pachamama, que tem como tema ‘livre de venenos e de patrão’, percorre mais de 80 quilômetros, desde o interior de São Gabriel, para chegar até a mesa dos clientes.

No coletivo responsável pelo Pachamama, a organização é horizontal. Além de prezarem pelo preço acessível ao consumidor, o valor arrecadado é dividido igualmente com todas as pessoas envolvidas na produção. O grupo também trabalha com mel e pipoca, todos livres de agrotóxicos. Conforme a produtora rural e integrante do coletivo, Lisiane Rodrigues, 30 anos, todo o processo é feito de forma artesanal:

– A nossa ideia de não usar químicos e segurar um preço bom é para que todos os tipos de público consigam consumir esse arroz. O que a gente quer é que todo esse alimento chegue na mesa de todas as pessoas. A gente não vende o arroz, a gente vende a ideia do sem veneno – afirma Lisiane.

O arroz Pachamama é comercializado na Polifeira em sacos de um quilo a R$ 6. Com o apoio da UFSM no processo e com a possibilidade de venda junto a outras bancas, o coletivo vê como essencial a feira, que é o principal foco de venda.

Entre os feirantes também está a Boutique da Colônia, que hoje é a maior banca da Polifeira e vende desde pães, bolos e queijos, até ovos, verduras e grãos. A Boutique é coordenada pela produtora rural Jussane Turri Carvalho, 42 anos. Segundo ela, os produtos comercializados são o mais natural possível:

 – A nossa produção visa buscar o mínimo de aditivos possíveis, no caso dos queijos a gente não usa nenhum tipo de conservante. Os ovos são de galinhas criadas livres e com uma alimentação mais natural. Nós sempre buscamos o mais natural possível. – destaca.

Além de estar presente na Polifeira, a Boutique da Colônia também participa da Feira da Roraima, na feira da Praça Saldanha Marinho e no Feirão Colonial do Centro de Economia Solidária. De acordo com a agricultora Jussane Carvalho, as feiras estão sendo mais procuradas:

– O público que preza por essa questão da produção mais limpa e natural tem aumentado ao longo do tempo.

Um desses consumidores e consumidoras que estão em busca de uma alimentação mais natural é a microempreendedora Claudia Beatriz Lengler, 47 anos, que desde o início da pandemia passou a prezar por uma alimentação saudável e mais humana:

– São produtos orgânicos que vem direto do produtor e isso pra mim é imprescindível. Eu gosto muito de comprar aqui na feira por isso e, também, para favorecer os pequenos agricultores e as famílias que vivem do campo.

Além da Polifeira do Agricultor, existem outras ações que possuem a mesma visão de fortalecer os vínculos entre os pequenos produtores e os consumidores e incentivar a alimentação natural. Um desses exemplos é o Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, onde acontece, anualmente, a Feira Internacional do Cooperativismo.

A Feicoop é uma iniciativa que surgiu por meio da irmã Lourdes Dill e que é referência na economia solidária na América Latina. No ano passado, mesmo com a pandemia, a feira reuniu mais de 200 expositores que comercializaram desde artesanatos até produtos coloniais e alimentos orgânicos. Entre os objetivos da Feicoop estão a educação alimentar, a sustentabilidade, a reforma agrária, o cooperativismo e a agroecologia. Temas cada vez mais atuais que encontram espaço também nas outras feiras que acontecem ao longo do ano em Santa Maria.

AS FEIRASDe segunda a sábado, feiras espalhadas pela cidade comercializam frutas, verduras, legumes e produtos coloniais, além de grãos e itens de artesanato. A feira Ana Primavesi, nas quartas-feiras, é a única que vende somente produtos orgânicos, porém, nas demais, é possível encontrar produtos e produtores que vendam esse tipo de alimento. Veja, a baixo, os dias, horários e locais das feiras em Santa Maria: 

POLIFEIRA DO AGRICULTOR

Quando – nas terças Onde – Avenida Roraima, entre a Faixa Velha e Faixa Nova de CamobiDas 7h às 13h

FEIRÃO REGIONAL

Quando – nas terças e sextas Onde –  Praça João Pedro Menna Barreto (Praça dos Bombeiros)Das 7h às 14h

FEIRA ANA PRIMAVESI

Quando – nas quartasOnde –  Salão do Santuário Arquidiocesano do Divino Espírito Santo, na Igreja dos Amaral (Faixa Velha de Camobi)Das 9h às 13h

FEIRA ARTESÃ

Quando – nas quintas Onde – Praça Roque Gonzales (em frente ao Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo)Das 8h30min às 17h30min

FEIRINHA DO MALLET

Quando – aos sábadosOnde – Avenida Liberdade, junto à Praça Marechal MalletDas 7h às 13h

FEIRÃO COLONIAL

Quando – aos sábadosOnde –  Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter, no Bairro MedianeiraDas 7h às 11h30min

FEIR’ART DO ROSÁRIO

Quando – aos sábados Onde –  Praça Hermenegildo Gabbi, no Bairro RosárioDas 13h30min às 17h30min

ARMAZÉM COOPERCEDRO

Quando – de segunda-feira a sábadoOnde – Praça Saturnino de BritoDe segunda a sexta-feira, das 8h30min às 12h30min e das 13h30min às 17h30min, e, aos sábados, das 8h30min ao meio-dia

Carregando matéria

Conteúdo exclusivo!

Somente assinantes podem visualizar este conteúdo

clique aqui para verificar os planos disponíveis

Já sou assinante

clique aqui para efetuar o login

Restaurante Universitário recebe metade do público esperado no primeiro dia de reabertura Anterior

Restaurante Universitário recebe metade do público esperado no primeiro dia de reabertura

Programa Avançar investirá mais de R$ 43 milhões em obras de 14 trechos de rodovias da região Próximo

Programa Avançar investirá mais de R$ 43 milhões em obras de 14 trechos de rodovias da região

Geral